Por José Carlos Castro Sanches
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O número vinte e dois carrega consigo a força simbólica de uma nova aurora, funcionando como um farol que ilumina a esperança de um povo resiliente, trabalhador e profundamente esperançoso. Longe de ser apenas um algarismo na urna, o 22 ressoa neste momento histórico como a energia vibrante da renovação política, o despertar para a reativação econômica e o resgate intransigente da credibilidade nacional. É a oportunidade soberana de virar a página da desilusão, devolvendo à nossa gente a lucidez ética e o orgulho de pertencer a uma pátria que reencontra, enfim, o seu caminho de dignidade e futuro.
Contudo, transformar essa aspiração em realidade exige enfrentar a crônica desilusão com os donos do poder. Afinal, como bem advertia o filósofo Norberto Bobbio, “a democracia não se realiza apenas com promessas, mas com o escrutínio rigoroso daqueles que governam”. Quando a esperança cega dá lugar à vigilância, percebe-se que, nessa passarela do poder, a fantasia de salvador da pátria rasgou de vez. Como diria o clássico conto infantil adaptado para a nossa triste realidade tropical, acordamos para o fato incontestável de que “Os Políticos Estão Nus”. E não é uma nudez artística ou moderna, daquelas que provocam debates em bienais; é uma pelanca moral descarada, sem um pingo de vergonha na cara, desfilando à luz do dia entre mandatos e emendas parlamentares. O rei vai nu, a corte aplaude o figurino imaginário e o povo, hipnotizado pelos holofotes da demagogia, continua batendo palmas para o próprio fiasco.
Como bem apontava o genial escritor e cronista brasileiro Machado de Assis, “a ocasião faz o ladrão, mas a oportunidade e a impunidade fazem o político profissional”. É essa engrenagem perversa que sustenta o desfile dos desprovidos de pudor. No mesmo diapasão, o imortal Rui Barbosa já nos alertava com sua proverbial severidade: “De tanto ver triunfrar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver os poderes nas mãos dos cães, o homem chega a desanimar da virtude, a ter vergonha de ser honrado”.
Contudo, desistir jamais é o caminho. É urgente sacudir a poeira das ilusões e resgatar a lucidez por meio da força soberana do voto consciente. Precisamos, de uma vez por todas, fazer o Brasil fugir das garras da corrupção, da mentira, da ideologia comunista, da violência, das drogas e dos desmandos de uma falsa elite que troca o progresso da nação por privilégios de ocasião, pois só a ética inegociável é capaz de parir o verdadeiro desenvolvimento e o futuro que merecemos.
Rosário, 30 de setembro de 2026.
Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
