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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O VOO SUAVE DE RETORNO AO AMOR E AO SONHO

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“A poesia não se quer em versos, quer-se em alma; a estrada é o papel onde os passos escrevem o destino.” (Mário Quintana)

Caminho do feio por onde veio, corrige a alma na premissa de um retorno que já tem sabor de saudade. Somos quatro, casal de amigos Carlos Furtado e Fabiane Moreira, minha esposa Socorro Sanches e este que vos escreve – andarilhos na estrada. A viagem de onze longas horas pelas estradas maranhenses — de São Luís ao abraço de Porto Franco — e vice-versa dá uma pausa agora em um pouso terno e necessário, no ventre acolhedor de Barra do Corda.

Berço de encantos nascido do encontro caudaloso entre o Rio Corda e o Rio Mearim, esta terra guarda a bravura de sua história fincada no coração do Maranhão, onde o progresso brotou das matas e das águas cristalinas que espelham o céu.

“Oh, Barra do Corda, encanto de anil,

Onde as águas do Corda beijam o chão,

És a joia mais pura do meu Brasil,

Que pulsa e inspira meu coração.”

(José Carlos Castro Sanches)

A poesia se completa no trajeto e no destino, ora desfilando como protagonista de nossos dias, ora vestindo-se de silêncio e desafio — tal qual a vida em sua eterna roda gigante, que ora nos eleva às estrelas, ora nos convida a beijar o chão. Todavia, é no vale profundo das sombras e na aspereza das pedras que o poeta colhe a mais sublime inspiração. Cada obstáculo no caminho não é ruína, mas a cinzelagem divina que transforma perdas em sabedoria e conquistas em altares de gratidão.

Agora, abrigado no Belchior Palace Hotel, a noite adormece mansamente, e o sono revigorante se entrelaça aos delírios mais doces da imaginação. A cama amortece o corpo exausto, enquanto no reflexo suave da luz cintila o flash que desperta o cronista para o deleite das páginas em branco; a caneta, então, verte a sua tinta como quem despeja a própria alma no papel, fazendo o pensamento brilhar feito o sol matutino a clarear a terra.

“O sono do poeta é um barco a vela,

Que navega nos mares do devaneio,

Onde a mente, despida e tão bela,

Cria mundos no mais profundo anseio.

(Fernando Pessoa)

O banho fresco que antecede o repouso lava as dores e renova a alma nesta urbe cujo calor tenta fundir-se ao meu ser, fazendo o suor derramar-se como lágrima pura sobre a alvura do lençol. É hora de silenciar, de fechar os olhos para o mundo exterior e abrir as janelas do espírito.

Pois cada novo amanhecer traz consigo a promessa sagrada de um recomeço. Que venha a luz do dia seguinte trazendo a certeza de que viver é uma arte sublime, e que o retorno ao lar — físico ou espiritual — é sempre o reencontro com a nossa mais verdadeira essência.

“O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos.” (Eleanor Roosevelt)

Barra do Corda, 14 de setembro de 2026.

Direitos reservados ao autor: José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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