Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.” (Martin Luther King Jr.)
Nem todo silêncio significa falta de apoio. Algumas pessoas simplesmente não podem apoiá-lo em público porque isso entraria em conflito direto com o que propagam a seu respeito no particular.
Nas relações sociais, somos frequentemente surpreendidos por quem nutre antipatia gratuita por outrem. Curiosamente, cultuam os mesmos santos, compartilham a mesma mesa, frequentam os mesmos cultos, pregam idênticos valores e possuem afinidades profissionais. No entanto, mal se suportam na intimidade. É sobre essa intrigante dinâmica humana que pretendo trocar ideias com os leitores nesta breve crônica reflexiva.
Ah, se pudéssemos ouvir o ruído do vento revelando o que dizem sobre nós às escondidas — já imaginaram? Dificilmente sobraria alguém a quem chamássemos de amigos.
Certamente não nos agradaria descobrir o quanto o instinto humano de depreciação pode ser dissimulado e maldoso, sobretudo em ambientes altamente competitivos. Há quem cultive o desprezo antes mesmo do convívio, movido apenas por referências alheias — sem ao menos se dar a oportunidade de tirar as próprias conclusões.
Às vezes, há pessoas que reconhecem o seu trabalho, respeitam a sua caminhada e até concordam com suas ideias. O motivo de se calarem é simples: demonstrar apoio diante dos outros significaria contradizer tudo aquilo que sustentaram na sua ausência.
É aí que compreendemos uma lição essencial: muitas vezes, o problema não está no que somos, mas na narrativa que alguns decidiram construir a nosso respeito. Amadurecer é aprender a renunciar à busca constante por validação.
Essa conduta evasiva e contraditória nasce, em grande parte, da insegurança, do medo do julgamento social e do receio da rejeição do próprio grupo. Para manter uma imagem de coerência perante os pares, muitos preferem sustentar narrativas distorcidas a admitir um equívoco. Trata-se de um mecanismo de defesa da própria vaidade, em que o orgulho se sobrepõe à verdade.
Contudo, a verdadeira maturidade começa quando desenvolvemos a coragem moral de pautar nossas opiniões na integridade e na convivência direta, e não na sombra do preconceito alheio. Afinal, reconhecer o valor do outro em público não nos diminui; ao contrário, enobrece o nosso próprio caráter.
Por isso, continue fazendo aquilo em que acredita, sendo coerente com o que prega e trabalhando com dedicação. Não gaste sua energia tentando convencer quem já decidiu interpretá-lo de forma equivocada.
No final das contas, o tempo é o senhor da razão e costuma revelar, com clareza cristalina, a distância entre o que disseram sobre você e o que você realmente é.
“A coerência é a virtude dos que não temem a verdade, pois quem vive de aparências torna-se prisioneiro das próprias palavras.” (Sêneca)
São Luís, 19 de agosto de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
