Por José Carlos Castro Sanches
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“Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” (George Bernard Shaw)
Amadi Djavu era um estrangeiro em terras brasileiras. Ao caminhar pelas ruas de São Luís, carregava no peito as saudades e as memórias vibrantes de sua terra natal nas entranhas da África. Sentia-se um forasteiro na América, contudo era admirável a sua vontade inabalável de vencer as adversidades, superar os desafios e encontrar um motivo para viver. Não lhe restava outra escolha diante do sofrimento que o arrastara entre as savanas, os botes arriscados no oceano, os muros impostos pelas fronteiras e tantos outros empecilhos que se apresentaram durante a sua dramática fuga do país de origem.
Naturalmente, a vida no novo continente não se mostrou fácil. Nas primeiras fases dessa travessia, Amadi dormia nas calçadas frias, comia as sobras do dia e banhava-se apenas quando encontrava um espaço público que pudesse acolher sua nudez. Com roupas sujas, barba por fazer e pés descalços pela poeira da incerteza, mantinha intimidade apenas com os companheiros de rua — seres invisibilizados pela dor, muitos dos quais dependentes de álcool e drogas que o arrastavam cada vez mais para o fundo do poço.
O ponto de virada, porém, germinou na escuridão de uma noite chuvosa. Amadi teve um encontro transformador com um transeunte anônimo — alguém que ele julga, até hoje, ter sido um anjo enviado pelo destino. Aquele homem não apenas lhe estendeu a mão com um prato de comida, mas olhou no fundo dos seus olhos e lhe devolveu algo que o mundo havia roubado: o senso de valor próprio.
A partir daquele instante, impulsionado por uma centelha divina, Amadi moldou-se a novos costumes. Abraçou práticas saudáveis, dedicou-se ao estudo da palavra divina e entregou-se à busca obstinada do conhecimento, abrindo novos caminhos a percorrer pelas trilhas da sabedoria. Cada passo exigiu uma batalha feroz. A luta contínua contra os vícios e a tentação de ceder ao entorpecimento exigiram disciplina e fé ilimitada. Venceu o desencanto com um mundo que insistentemente o empurrava para a cova e resgatou, camada por camada, a dignidade que o fez um verdadeiro vencedor.
Amadi reescreveu sua história ao trocar o desespero pelo trabalho digno, o isolamento pela integração comunitária e a ignorância pelo constante aprendizado. Ele provou que as correntes mais difíceis de quebrar não são as de ferro, mas aquelas forjadas pelo medo e pela resignação em nossa própria mente.
A jornada de superação nos ensina que o poder de mudança não reside nas circunstâncias externas, mas na decisão sagrada e inabalável de tomar as rédeas da própria existência. Mudar de paradigma é compreender que o sofrimento passado não serve como sentença, mas como combustível para a elevação da alma. Quando decidimos despertar o gigante interior, transformamos os espinhos do caminho em degraus rumo à vitória.
“A maior descoberta de minha geração é que o ser humano pode alterar sua vida mudando sua atitude mental.” (William James)
São Luís, 16 de agosto de 2026.
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José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
