Por José Carlos Castro Sanches
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“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.”
(Gonçalves Dias)
O Teatro da Cidade — localizado na Rua do Egito, no Centro de São Luís — tornou-se o epicentro de um espetáculo com musical, recital poético, peça teatral e coquetel em homenagem aos 13 anos de fundação da Academia Ludovicense de Letras (ALL) naquela noite festiva de 12 de agosto de 2026. Um justo motivo para festejar a pujante tradição literária que permeia a história de resistência e o compromisso com a literatura, a arte e a cultura maranhenses, profundamente arraigadas no estado e, de modo especial, na capital.
A cidade de São Luís é um espanto: em cada canto, um poeta; em cada rua, uma lenda; em cada esquina, uma história; em cada casarão, um imortal; em cada lápide, um poema; em cada azulejo, um mistério; em cada canhão, uma incógnita; em cada beco, uma ilusão; em cada praça, um amor; em cada igreja, uma serpente; em cada telhado, um pombo; em cada livro, um enigma; em cada ser, uma inspiração; em cada escadaria, uma lembrança; em cada pedra, uma saudade. Assim nasceu a Academia Ludovicense de Letras (ALL) — tecida entre ruas, becos, igrejas, pedras, rios, mar, maresia e poesia.
Afinal, tudo possui uma origem mais profunda: o fundamento, a plataforma, a base e a essência humana que transformam o inerte em fértil — o papiro em livro, a palavra em ideia, o pensamento em literatura, o conhecimento em saber e o verbo em criação viva. Assim nascia a Academia, sob o embalo dos ventos ancestrais, fustigada pelas ondas do mar e acolhida entre palácios, casarões e estrelas iluminadas na Ilha de Upaon-Açu — também consagrada como Atenas Brasileira, Ilha Grande, Ilha do Amor, Cidade de Porcelana, Cidade dos Azulejos e Capital do Reggae; berço do camarão, do saboroso arroz de cuxá, do peixe frito, do ritmo contagiante do bumba-meu-boi e da graciosidade do cacuriá. Verdadeira Ilha das Palmeiras, onde canta o sabiá.
“Qual a flor mimosa e pura,
Que no prado brota ao alvor,
É a dita, é a ventura,
Que nos dá um casto amor.
Ela passa rápida, breve,
Como a brisa da manhã,
Como a sombra tênue, leve,
Que no espaço se esvaece.”
(Maria Firmina dos Reis)
São Luís, 12 de agosto de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
