Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com
“O brinquedo mais simples, aquele que qualquer menino é capaz de fazer funcionar, chama-se avô.” (Sam Stevenson)
Nesta data reuni minha esposa, filhas, netos e genros para uma visita aos meus pais em Rosário/MA. Foi um momento especial de reconhecimento e gratidão pelo incansável trabalho e dedicação do casal José Firmino e Zanilde Castro Sanches para o sustento, educação, proteção dos filhos e condução heroica de uma família sustentada por valores e princípios que atravessam gerações.
Em 21 de setembro de 2017, minhas mãos traduziram em palavras o que o coração já gritava: “Avós são pais com mel” e “Neto é filho com açúcar”. Quase uma década depois, revisito esses escritos com o olhar de quem foi lapidado pelo tempo e pelo afeto. O convívio amoroso com meus netos não apenas confirmou aquelas verdades, mas as elevou a um estado de graça. Sou um homem afortunado; cada encontro é um sopro de vitalidade que rejuvenesce a alma e restaura as forças. Há um néctar precioso, uma essência divina guardada no abraço de cada neto — e agora entendo que Deus os criou justamente para serem o nosso bálsamo. No meu portal, o falasanches.com, essas memórias repousam como um convite para quem deseja saborear a pureza dessa conexão. Como dito em Provérbios 17:16: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais.”
Victor Hugo já sentenciava: “Há pais que não amam os filhos, mas não existe um só avô que não adore o neto”. É uma verdade absoluta, acessível apenas aos que portam esse título sagrado. Se Deus arquitetou algo mais sublime que a experiência de ser avô, certamente guardou o segredo apenas para Si.
Há uma química mística entre nós. É vibração pura, uma alegria que transborda em desordem pela casa. Brinquedos espalhados pelo corredor, marcas de dedos nas paredes e o caos lúdico de uma sala transformada em campo de aventuras. Uma casa só tem vida quando o sofá carrega manchas de histórias e o chão ostenta o brilho da água derramada. Somos três gerações brincando de descobrir o mundo e, se a dona de casa protestar contra a bagunça, que me perdoe, mas o amor não conhece limites geográficos ou faxinas impecáveis.
“Ninguém pode fazer pelas crianças o que fazem os avós: eles salpicam uma espécie de pó de estrelas sobre as suas vidas.” (Alex Haley)
Entro em um transe tão profundo que as palavras, por vezes, parecem insuficientes. Se existe um estágio do sentimento que ultrapassa o amor, ele habita o olhar entre um avô e seu neto. É uma conspiração cósmica que nos deixa “acriançados”, anestesiados diante da beleza da vida. Com eles, a tristeza se dissipa e a felicidade se potencializa ao cubo.
Os netos são a nossa oportunidade de subverter a rigidez do passado. O que outrora negamos aos filhos, hoje incentivamos neles, quebrando tabus e desafiando o tempo. Eles são o remédio definitivo para o estresse e a fadiga do mundo moderno. Se o médico prescreveu às minhas filhas a maternidade, a mim ele receitou pitadas de tempo, colheres de sabedoria e sacolas de amor incondicional. Tomo essa dose diariamente e vejo as doenças desaparecerem entre um pulo, um riso e uma cantiga de ninar.
“Ter netos é a certeza de que teremos aqui a nossa continuidade; portanto, só passe a eles o que de melhor possa existir em você: Amor, Respeito e a Amizade.” (Djalma Pinheiro)
Nada substitui este mar de alegria. Agradeço às minhas filhas e aos meus netos por este espetáculo chamado vida. Ao fim, compreendo: avós são pais polvilhados com açúcar, e por isso o gosto da convivência é tão viciante. Aos que ainda mantêm as amarras e não se permitem esse mergulho, recordo as palavras de H. Jackson Brown Jr.: “Daqui a vinte anos, você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez”. Solte as velas. Explore o riso. Descubra o amor nos olhos de uma criança. Desejo um dia luminoso a quem escolhe amar e apreciar seus netos, transformando o tempo em eternidade.
Dedico estas linhas à Julie (Jujuba), ao Rafael (Tetel Sorriso), ao Leonardo Davi (Narizinho Leobriga), à Amelie Sara (Princesa Licura) e à Rebeca (a esperta Coruja). Arnaldo Antunes, em sua licença poética, bem explicou que avô e avó, no plural, tornam-se simplesmente avós — uma síntese que ultrapassa o gênero para focar na essência. Não busco mais a lógica dessa relação; prefiro a embriaguez do sentir.
“Todo mundo precisa ter acesso aos avós e netos para ser um ser humano completo.” (Margaret Mead)
São Luís, 26 de julho de 2026.
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José Carlos Castro Sanches
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
