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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

SINFONIA DA LIBERDADE: O TREM DA MEMÓRIA E OS LAÇOS DO CORAÇÃO

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“A importância das coisas não se mede com fita métrica, nem com balanças, nem com barômetros. A importância das coisas tem que ser medida pelo encantamento que a coisa produz em nós.” (Manoel de Barros)

Neste 04 de julho de 2026, encontro-me ao amanhecer de um belo dia na casa dos meus pais, em Rosário, Maranhão — a abençoada terra onde nasci. Desde as primeiras horas da manhã, ouço o canto alegre e característico da rolinha fogo-apagou, harmonizado com o coro de dezenas de outros passarinhos que surgem de recantos misteriosos. Tenho a absoluta certeza de que a sinfonia produzida por essas pequenas criaturas renova as minhas energias e a minha alma a cada novo amanhecer, conectando-me profundamente com a pulsação da vida e da natureza.

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, o que ela quer da gente é coragem.” (Guimarães Rosa)

A calmaria do amanhecer contrasta docemente com a nostalgia da noite anterior, quando o apito do trem ecoou pela ferrovia que, imponente, permanece em frente à casa dos meus pais desde a minha infância. Naqueles tempos idos, o ruído rítmico dos vagões nos trilhos, o movimento das ferragens e o ronco potente do motor da locomotiva não me traziam temor; ao contrário, davam-me uma profunda sensação de segurança, afastando o medo infantil de ladrões e de fantasmas. Hoje, o som do trem ganha um novo e nobre significado: passei as últimas horas em um terno plantão noturno de cuidados ao lado do meu amado pai, José Firmino Sanches, retribuindo o zelo e a proteção que ele sempre me dedicou.

“Ser livre não é apenas quebrar as próprias correntes, mas viver de uma maneira que respeite e aumente a liberdade dos outros.” (Nelson Mandela)

Mas este sábado guarda uma dupla e luminosa celebração. Hoje é o aniversário da minha querida irmã, Zanilra Castro Sanches, que completa 62 primaveras de uma existência radiante. Coincidentemente, sua vida floresceu na mesma data em que o mundo celebra o Independence Day, o Dia da Independência dos Estados Unidos. Esse marco histórico celebra a aprovação da Declaração de Independência em 1776, momento em que as Treze Colônias romperam formalmente com o Império Britânico. Trata-se do feriado mais patriótico daquela nação, tradicionalmente comemorado com desfiles, piqueniques, exibições de fogos de artifício, as cores azul, vermelho e branco decorando as ruas, e solenes cerimônias de naturalização que acolhem novos cidadãos sob o manto da liberdade.

“A verdadeira liberdade consiste em um domínio absoluto de si mesmo.” (Michel de Montaigne)

Ao entrelaçar esses acontecimentos aparentemente distintos — o plantão de afeto com meu pai em Rosário, as 62 primaveras de minha irmã e a emancipação de uma grande nação —, percebo um elo profundo que se traduz em inspiração para todos nós. O que a história política chama de independência, a vida familiar batiza como amor consciente. A verdadeira soberania de um ser humano não reside no isolamento, mas na capacidade de escolher voluntariamente a quem nos dedicamos. Cuidar de nossas raízes, enquanto os trens do tempo continuam a passar, é o ato mais livre e digno que podemos exercer.

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” (Vinicius de Moraes)

Celebrar o aniversário de Zanilra sob o eco simbólico dos fogos de artifício globais nos lembra que cada ano vivido é a nossa própria declaração de independência contra as adversidades do tempo — uma vitória da resiliência e do afeto. Que cada leitor possa encontrar nesta crônica o verdadeiro sentido da liberdade: o direito de voar alto como os pássaros de Rosário, mantendo, contudo, o coração ancorado nos trilhos da gratidão, do cuidado mútuo e do amor familiar.

“O que a memória ama, fica eterno.” (Rubem Alves)

Rosário, 04 de julho de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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