Por José Carlos Castro Sanches
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A lua cheia espia o veludo do chão,
O sopro do trompete anuncia a nobre dança,
A fogueira acesa aquece o par no casarão,
E na corda do banjo o belo arraiá avança.
O arroz de cuxá traz o viço ao paladar,
O vento leva o aroma do milho no assento,
Sabor de vatapá faz a alma festejar,
Trazendo a torta farta ao jovem e bom rebento.
A quadrilha evolui num desenho que fascina,
Silenciam-se as matracas, a harmonia atua,
Enquanto o cacuriá quebra a sutil rotina,
Toda a orquestra dedilha sob a clara lua.
Pai Chico e Catirina animam a noite inteira,
As índias tecem passos com fitas pelo ar,
O bumba-meu-boi gira erguendo a poeira,
E o sotaque de sopro faz o pranto brotar.
Chorar de rir com orgulho, amor e emoção,
A arte maranhense é o manto que apraz,
Bendita seja a festa e o nosso São João,
Que espalha no terreiro a mais perfeita paz!
São Luís, 02 de julho de 2026.
Direitos reservados ao autor:
José Carlos Castro Sanches.
Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.
