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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

O DESPERTAR DOS SENTIDOS NA POUSADA DO PEIXINHO (83 Anos de Mãe Zazá)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

“A felicidade é a certeza de que a nossa vida não está passando inutilmente.” (Érico Veríssimo)

Era 23 de abril, uma data em que o destino teceu um encontro sublime: o aniversário de Zanilde Castro Sanches, a nossa querida d. Zazá, e o Dia Mundial do Livro — essas janelas para o infinito que minha amada mãe tanto preza por abrir a cada novo presente recebido. No pulsar desse novo ciclo, o desejo era um só: enlaçar os filhos em um abraço coletivo para celebrar mais uma primavera de sua existência.

Entre tantas rotas possíveis, o coração apontou para um recanto onde a natureza ainda sussurra segredos: a cidade de Morros, no interior do Maranhão, a meros 30 km de Rosário, o porto seguro de meus pais. Ali, o tempo parece ter feito um pacto com o sossego.

“Família é onde a vida começa e o amor nunca termina.” (Autor Desconhecido)

Reunimo-nos naquele ambiente onde a simplicidade se traveste de nobreza. Por horas, as palavras fluíram como o rio, alimentando-nos de iguarias e de uma sabedoria que não se aprende nos livros, mas no brilho do olhar materno. Se dizem que a felicidade reside na harmonia familiar, ali experimentamos o êxtase. Eu não sei se o leitor entende o que digo: era pura poesia em movimento, um estado de graça onde as almas se reconhecem e se aquietam.

A paisagem, pintada com o verde mais vibrante do paraíso, era emoldurada pelo canto das águas no córrego, formando uma piscina de vida corrente. O cheiro de terra molhada era o perfume da própria gênese, despertando memórias latentes de uma infância que ainda mora em nós.

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” (Oscar Wilde)

Tudo nos convidava ao delírio suave diante do espelho d’água. Os “peixinhos”, anfitriões que batizam o lugar, nadavam com uma alegria despudorada, como se o amanhã fosse apenas uma promessa desnecessária. Eles habitam o “agora”, sem hesitar um segundo sobre a dádiva que a natureza generosamente lhes permite desfrutar nas entranhas daquele córrego cristalino.

Enquanto a vida subaquática bailava, nós apreciávamos o sensível movimento das águas, o balanço rítmico dos galhos regidos pelo vento, os respingos de chuva no telhado e o coro dos pássaros que, ao redor do restaurante, pareciam entoar hinos de louvor à vida.

Saulo, proprietário da pousada com uma solicitude que acalma, atendia-nos com um sorriso discreto e palavras que se encaixavam perfeitamente no silêncio do lugar. O banquete estava posto: peixe-frito, camarão, frango, o arroz soltinho, o feijão com sabor de casa e a farofa crocante… uma sinfonia de sabores locais.

“O que importa não é o que dão a você, mas o que você faz com o que lhe deram.” (Jean-Paul Sartre)

Veio então o bolo, os parabéns e uma profunda reflexão sobre o Salmo 121: “Elevo os meus olhos para os montes…”. As dedicatórias dos filhos, genro e nora ecoaram como orações. Éramos seis em torno da matriarca: d. Zazá, José Carlos, Carlos Henrique, Zanilra, Josete, Jonas e Socorro. No íntimo, sabíamos que aquele momento era eterno.

Ao partirmos, a estrada nos levou ao aconchego do Sr. Moreira, irmão do amigo Sebastião Moreira Duarte. Como um bom anfitrião de antigamente, ele nos recebeu com a alma aberta. Conversamos sobre os fios que tecem o viver: empreendimentos, a força da família e a solidez de uma amizade que vence as distâncias e o tempo.

“O amor não se vê com os olhos, mas com o coração.” (William Shakespeare)

De volta a Rosário, busquei a bênção de meu pai. Ele, que preferiu o recolhimento do lar, esperava por sua amada esposa. O sorriso que se estampou em seu rosto ao vê-la retornar foi o ponto final mais bonito deste dia. O amor recíproco é essa força que, apesar dos pesares, sempre predomina, como uma raiz que se fortalece na tempestade para florir na bonança.

Refletindo mais tarde sobre a Pousada do Peixinho, algo tocou minha alma de poeta e consultor. Aquele santuário de dez aposentos e culinária ímpar merece ser um destino de luz. Percebi que, para sustentar tamanha beleza, o mundo precisa saber que Morros guarda esse tesouro.

Para que a Pousada do Peixinho floresça e atraia novos olhares, imagino um plano onde o rústico encontra o digital. Seria essencial criar um “Diário do Refúgio” nas redes sociais, mostrando não apenas o lugar, mas a experiência sensorial de quem ali se hospeda. Pacotes de “Imersão Literária” ou “Retiros de Afeto” poderiam atrair quem busca fugir do caos urbano. A divulgação deve focar no turismo de experiência: o luxo aqui não é o ouro, mas o silêncio, a água limpa e o tempero com alma.

“A simplicidade é o último grau de sofisticação.” (Leonardo da Vinci)

Ao compartilhar este relato, abro as portas deste paraíso para que outros possam, assim como minha família, encontrar-se com a paz. Que a Pousada do Peixinho seja, para cada viajante, o que foi para nós: um porto de águas doces e lembranças indeléveis.

São Luís, 24 de abril de 2026.

Direitos reservados ao autor:

José Carlos Castro Sanches.

Químico, professor, consultor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador, poeta e produtor cultural.

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