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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

AROMA E MEMÓRIA: A MAGIA DO GRÃO (Dia Mundial do Café)

Por José Carlos Castro Sanches 

Site: www.falasanches.com

Na casa dos meus pais em Rosário do Maranhão o café com pão e manteiga era sagrado ao amanhecer, por vezes aos finais de semana o meu pai comprava cuscuz de arroz com leite de coco – a coisa mais gostosa que se pode saborear – aquele gosto ainda permanece no meu paladar – só em pensar dá água na boca.

Mas eu fui crescendo e por alguns anos deixei o café de lado, substituindo-o por Nescau, chocolate… Porque eu sentia que ao tomar café o meu coração que sempre bateu a mais de cem por minuto ficava mais agitado. Ao tempo em que eu não entendia o porquê da minha amada esposa gostar tanto de café ao ponto de não conseguir passar uma tarde sem ele – dava dor de cabeça – eu apenas criticava o vício.

Certo dia após uma cirurgia de hérnia inguinal – fiquei internado no Hospital São Domingos – e vejam o que me serviam pela manhã: uma garrafa de café com leite – eu que não tinha o hábito de beber café pela manhã passei a gostar da ideia – esqueci os batimentos cardíacos – e tornei-me um viciado em café – quando não bebo ao amanhecer e ao final da tarde parece que algo está faltando. E está! A cafeína faz bem para o cérebro e alimenta a inspiração poética…

A história dessa paixão remonta às montanhas da Etiópia, onde a lenda do pastor Kaldi conta que suas cabras ficavam saltitantes ao comerem as cerejas vermelhas de um arbusto silvestre. Do Oriente Médio para o mundo, o café deixou de ser um segredo dos monges sufis para se tornar o combustível da Revolução Industrial e dos salões intelectuais da Europa.

Os benefícios dessa bebida negra são cientificamente notáveis. Rico em antioxidantes, o café melhora o estado de alerta, a memória e a função cognitiva. Estudos indicam que o consumo moderado auxilia na prevenção de doenças como o Parkinson, Alzheimer e diabetes tipo 2. Como bem notou o filósofo Voltaire: “O café pode ser um veneno lento, mas eu o bebo há sessenta anos e ainda não morri.”

Sobre os mitos, muito se diz. É mentira que o café causa gastrite por si só, embora possa agravar condições existentes. É verdade, porém, que a cafeína em excesso pode causar insônia em pessoas sensíveis, mas para muitos, como observou o médico e pensador Sir William Osler: “O café é o bálsamo do coração e do espírito.”

A ciência moderna e a filosofia convergem na xícara. Immanuel Kant, o rigoroso filósofo alemão, via no café uma forma de manter a clareza do pensamento necessária para desvendar os mistérios da razão.

ODE AO CAFÉ

Ó néctar escuro, nascido do fogo e do grão, 

Que desperta o corpo e acende a canção. 

És o abraço quente no frio da manhã, 

A promessa de vida, a energia sã.

Do vapor que sobe, nasce a poesia, 

Transformas o cansaço em pura alegria. 

Preto como a noite, doce como o mel, 

És o traço de tinta no meu papel.

Seja no hospital ou no antigo lar, 

És a pausa bendita que nos faz pensar. 

Companheiro fiel de quem quer criar, 

Sem ti, café, o mundo iria parar.

São Luís, 14 de abril de 2026.

José Carlos Castro Sanches.

É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS 14.04.2026. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.

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