Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com

Sonhei que me encontrava com um amigo que saía de um rio e caminhava em minha direção com algo nas mãos para me entregar. Quando o fitei de perto, percebi que estava muito abatido, magro e com aparência esquelética. Ao amanhecer, aquele sonho não saía da minha lembrança. Foi então que minha esposa recebeu uma ligação da esposa dele; contei a ela sobre o sonho, mas pedi que não dissesse nada a ele para evitar preocupações. Hoje, recebi uma mensagem desse amigo agradecendo por eu ter compartilhado o sonho com sua esposa — ele disse que cuidaria mais da saúde, pois vinha sentindo uma grande angústia. Reagi aconselhando-o a cuidar da saúde física e mental com a mesma intensidade.

Logo depois, senti o desejo de escrever algo sobre o ocorrido, com foco na ‘angústia’ — seu significado, causas, consequências e sugestões de tratamento — em um tom poético e reflexivo. Quero extrair lições desse sonho e compartilhar reflexões úteis para a vida dos leitores, colocando-me à disposição para ajudá-lo.

Impressionado com a força daquele sonho que se manifestava a todo momento em minha mente – pus-me a pesquisar sobre o tema em busca de uma resposta para o dilema do meu amigo que agora era também meu – em seguida detive-me a escrever o texto reflexivo “O Rio da Angústia e o Despertar do Cuidado”.

A angústia é, por vezes, um rio que corre silencioso por dentro, erodindo as margens da alma sem que o mundo exterior perceba. No seu sonho, José, o amigo que emerge das águas com aparência esquelética não é apenas uma imagem; é o grito do corpo que a boca insiste em calar. A magreza extrema no onírico simboliza o esgotamento: a alma está passando fome de sentido, de descanso ou de paz.

O que é a angústia? Diferente do medo, que tem um objeto definido, a angústia é um “aperto” (do latim angustus). É a sensação de que o espaço interno encolheu, uma sufocação da existência diante das incertezas ou do peso do que não foi dito.

Percebi que era necessário identificar as causas e consequências e o porquê do sacrifício diante da visita das sombras quando o inconsciente alerta o corpo que se apaga? Encontrei algumas respostas, entre elas a que segue: A causa da angústia reside, muitas vezes, na desconexão. Quando priorizamos o fazer em detrimento do ser, o corpo físico começa a refletir o deserto emocional. As consequências são o abatimento que vi no sonho: uma perda de vigor, o olhar opaco e a sensação de que se carrega algo nas mãos que já não se tem forças para entregar.

Eu precisava ir além e extrair Lições do Sonho e encontrei a conexão como: O Elo que Salva. O sonho foi o meu radar intuitivo. A lição mais preciosa aqui é que ninguém se cura sozinho. O fato de o sonho ter circulado entre as esposas até chegar ao amigo mostra que a cura da angústia começa pela comunicação. Ao saber que foi sonhado com preocupação, o amigo se sentiu “visto”. E ser visto é o primeiro passo para sair do isolamento da dor.

Foi então que fui à procura de sugestões para o Tratamento em Tom Poético, eu queria valer-me da poesia para tentar sensibilizar o amigo, mas descobri que tratar a angústia exige a coragem de mergulhar no próprio rio (metáfora poética), com o compromisso de voltar à margem. Foi exatamente o que vi no sonho aquele homem sofrido, saindo do rio e chegando até à margem para encontrar-me, o seu corpo estava a gritar por socorro, como eu poderia interpretar aquele enigma? Eis a questão!

É sensato entender que é fundamental aplicar “O Equilíbrio das intensidades”: Como bem-dito, a saúde física e a mental devem caminhar de mãos dadas. Não adianta nutrir o corpo se a mente está em jejum de alegria. Outros aspectos de grande relevância dizem respeito “A Escuta do Silêncio”: Reservar momentos para entender o que o aperto no peito quer dizer. Às vezes, a angústia é apenas um convite para mudar de rota. E “O Compartilhar”: Falar sobre a dor é dar a ela um contorno, tornando-a menor do que nós.

A angústia, um tema central na filosofia existencialista e na psicologia, é frequentemente definida como a vertigem da liberdade e a consciência da existência. Mais do que um simples medo, é o peso da responsabilidade de escolher e criar o próprio caminho. Ao explorar o que os especialistas dizem sobre a angústia, somos levados a grandes reflexões.

Aqui estão algumas das citações mais marcantes de filósofos existencialistas, psiquiatras, psicanalistas e pensadores sobre o sofrimento existencial: Jean-Paul Sartre nos lembra que “o homem está condenado a ser livre” e que “a angústia é o medo de si mesmo”. Søren Kierkegaard define a angústia como “a vertigem da liberdade”, enquanto Friedrich Nietzsche nos inspira a encontrar a beleza no caos: “É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela, estrela dançante”. No campo da psiquiatria e psicanálise, Sigmund Freud afirma que “a angústia é o enigma fundamental da neurose”, enquanto Jacques Lacan a vê como “o sinal para o desejo do Outro”. Viktor Frankl nos ensina que, mesmo diante do sofrimento, é possível encontrar um “porquê” para seguir em frente, e Carl Jung nos convida a “olhar para dentro” para despertar. Nise da Silveira nos lembra que “quem não faz arte, enlouquece”, enquanto Albert Camus nos inspira a encontrar a vida “do outro lado do desespero”. Martin Heidegger nos confronta com a nossa própria finitude e existência autêntica, e Johann Wolfgang von Goethe nos faz refletir sobre a monotonia da vida e o medo da liberdade.

Os temas principais na angústia incluem a responsabilidade, a possibilidade, o desamparo e a busca por sentido. É um convite a explorar o que significa ser humano e a encontrar a própria estrela dançante no meio do caos.

Lições Aprendidas:
– A angústia é um sinal de que algo precisa mudar.
– A cura começa pela comunicação e pelo compartilhamento.
– É fundamental cuidar da saúde física e mental em equilíbrio.
– A angústia pode ser um convite para encontrar a própria estrela dançante.

Reflexão Final:
Se hoje você sente esse “aperto”, não ignore o aviso das águas. Olhe-se no espelho da alma e pergunte: “O que em mim está passando fome?”. Que possamos, ser o espelho que alerta o outro e a mão que se estende antes que a correnteza leve a esperança.

E você, como lida com a angústia?
São Luís, 21 de fevereiro de 2026.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

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