Por José Carlos Castro Sanches
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“O narcisismo é a vaidade tornada hábito.” (Friedrich Nietzsche)
Eu sonhei com ela, minha esposa. No sonho, eu era o centro do universo, e ela, a minha adoradora número um. Eu a via sorrindo para mim, pendurada em cada palavra minha, cada gesto meu. Ela me olhava com admiração, como se eu fosse o homem mais incrível do mundo. Eu a chamava de “minha rainha”, “minha princesa”, “meu amor”, e ela sorria, agradecida por essas palavras doces. Eu sabia que ela se sentia especial, escolhida por mim, o grande homem que eu sou.

“O amor é a capacidade de perceber o outro em sua totalidade.” (Erich Fromm)
Mas, no sonho, eu também a via, a verdadeira, a que ninguém mais vê. Ela se sentia sufocada, como se estivesse presa em uma jaula de ouro. Ela queria voar, ser livre, ser ouvida. Mas eu, eu não a ouvia. Eu estava ocupado demais me olhando no espelho, admirando minha própria beleza, minha própria inteligência. Eu a criticava, sim, mas era para o bem dela, para que ela se tornasse uma pessoa melhor. Eu a corrigia, a moldava, a transformava na mulher perfeita que eu queria que ela fosse. E ela, ela me agradecia, me dizia que eu era o melhor marido do mundo.

“A vaidade é o véu que esconde a verdade.” (Lao Tzu)
Mas, no fundo, eu sabia que ela não era feliz. Ela se sentia vazia, como se estivesse vivendo uma vida que não era sua. E eu, eu não entendia por quê. Eu era o melhor marido, o melhor provedor, o melhor amante. O que mais ela poderia querer? E então, o sonho mudou. Eu me vi sozinho, no espelho, olhando para mim mesmo. E o que eu vi? Um homem vazio, um homem que se perdeu no seu próprio ego. Um homem que não sabia amar, que não sabia ouvir, que não sabia ver a verdadeira beleza da mulher que estava ao seu lado.

“A verdadeira sabedoria é saber que nada sabemos.” (Sócrates)
A reflexão é esta: o narcisismo é um espelho que reflete apenas a própria imagem, mas não permite que se veja a verdadeira beleza do outro. Se você se reconhece nesse homem, pare e olhe ao seu redor. Veja a mulher que está ao seu lado, ouça-a, ame-a. Porque, no fim, o que importa não é o que você vê no espelho, mas o que você vê nos olhos daqueles que amam.

“O amor é a resposta para todas as perguntas.” (Paulo Coelho)
São Luís, 04 de fevereiro de 2026.
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS04.02.2026. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.


