Por José Carlos Castro Sanches
Site: www.falasanches.com

Sou admirador de Alexandre Garcia, mas nem tudo que dizemos ou escrevemos é consenso entre os leitores, ainda bem que somos livres para pensar diferente, porque como diz o adágio popular “Toda unanimidade é burra.” Concordando ou não com essa premissa, me aventuro a desafiar o leitor a refletir comigo sobre o que disse Alexandre Garcia: “Que sorte a da minha geração! Vejo quadrinhos nos jornais de hoje mal desenhados e sem pé nem cabeça. Nos anos 40 e 50 tínhamos belos desenhos animados e quadrinhos bem-feitos, racionais e belos. Será intencional esvaziar as novas gerações e inflá-las de mau-gosto, feiura e vácuo?”
A frase em questão parece sugerir que o passado era melhor e que o futuro é incerto e talvez pior. Mas, na minha visão, isso é um pouco limitante. O progresso e a inovação sempre trouxeram mudanças significativas e melhorias para a humanidade. Acredito que o passado teve seus encantos e conquistas, mas também teve seus desafios e limitações. O futuro, por outro lado, oferece oportunidades e possibilidades que ainda não podemos imaginar. Não é sobre romantizar o passado ou demonizar o futuro, mas sobre aprender com o que veio antes e usar essas lições para criar algo melhor.
Além disso, o que é considerado “melhor” é subjetivo e depende do contexto e das perspectivas individuais. Talvez o que precisamos é encontrar um equilíbrio entre preservar o que é valioso do passado e abraçar as mudanças e inovações que o futuro traz.
Existe outro questionamento recorrente que me leva à reflexão: por que sempre julgamos que o melhor está no passado? É interessante notar que essa é uma tendência comum em muitas culturas e épocas. Talvez seja porque o passado é familiar e confortável, enquanto o futuro é incerto e assustador. Além disso, a nostalgia pode desempenhar um papel importante, fazendo-nos lembrar do passado com carinho e esquecendo dos seus desafios.
Mas, na minha opinião, essa é uma visão limitada. Daqui a alguns anos, a geração de hoje provavelmente julgará as novas gerações como menos privilegiadas, esquecendo dos desafios e limitações que enfrentamos hoje. Isso é um ciclo que se repete ao longo da história.
Lemos que no passado, quando foi criada a TV, julgava-se que o rádio seria esquecido, mas o rádio se adaptou e encontrou seu lugar. Ao criar a internet, acreditava-se que eliminaríamos a xerox, ao contrário, a internet aumentou a demanda por impressões. Ao criar o e-book, pensava-se que os livros físicos estariam fadados ao fracasso, não se tornou realidade. Agora dizemos que a IA vai destruir os pensadores, criando uma quantidade imensurável de conteúdo, mas a IA não pensa, e jamais substituiria o cérebro humano.
As flores artificiais nunca substituirão as flores naturais, como o macaco não será humano. Nenhuma geração será melhor que a anterior ou posterior, cada uma viverá o seu tempo, ao seu modo, em contínua evolução ou involução, sempre diferentes, julgando-se superiores aos antecedentes e ao porvir.
Reflexão: O progresso é um processo contínuo, e cada época tem seus próprios desafios e oportunidades. Em vez de julgar o passado ou o futuro, podemos aprender com o que veio antes e trabalhar para criar um futuro melhor para todos.
Lição aprendida: Não há geração perfeita, e cada uma tem seu valor e contribuição única para o mundo.

Balneário Camboriú, 19 de janeiro de 2026.
(Escrito durante a viagem de microônibus de Balneário Camboriú e Gramado).
José Carlos Castro Sanches.
É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

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