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Oferece a você a oportunidade de leitura e reflexão sobre textos repletos de exemplos, experiências e lições que irão transformar a sua vida.

PASSEIO NO RIO PREGUIÇAS (Texto completo)

Por José Carlos Castro Sanches

Site: www.falasanches.com

A lancha partiu às 11h da beira-rio em Barreirinhas. Estávamos em família com um casal de amigos e dois filhos, num total de dez passageiros ávidos por novidades. Com coletes salva-vidas e muita disposição para a aventura. Eu nunca havia passeado de lancha a motor com a velocidade que aquela desenvolvia. A sensação que tive na arrancada da lancha me surpreendeu, um certo temor inicial, mas à medida que seguia fui me detendo à paisagem, enquanto os grãos de areia depositados no piso frontal da embarcação dos pés dos passageiros, incomodavam os olhos, até que cessou o incômodo. Segurávamos os óculos, chapéus, bonés e tudo que pudesse ser arremessado pelo vento decorrente da velocidade, ao tempo que o solavanco da lancha sobre as ondas requeria que nos mantivéssemos seguros ajustando o corpo para reduzir os impactos na coluna vertebral. Os respingos de água lançados pelo efeito do atrito da lancha com a água amainavam o calor e refrescavam o corpo frente ao sol ardente.

Uma hora e quinze minutos depois da partida chegamos ao primeiro ponto de visita: Vassouras, por lá vimos os macacos no mangue, tiramos fotos e me deitei numa rede para tirar um breve cochilo enquanto os colegas de viagem curtiam a paisagem do rio, a flora e a fauna local, debaixo da cobertura de um abrigo que era também um restaurante, venda de souvenires e local de descanso dos passageiros.

Depois de meia hora seguimos para Caburé, escolhemos uma cobertura de palha com mesas e cadeiras, lá almoçamos peixe cozido, arroz, pirão, bebemos uma cerveja. Enquanto esperávamos servir o almoço, parte dos integrantes da comitiva passeava de quadriciclo – visitaram as torres de geração de energia eólica, fotografaram as belezas naturais, naquele espaço entre o rio Preguiças e o mar. Lamento dizer que a nossa escolha para fazer a refeição não foi das melhores, apesar da referência do condutor da lancha que afirmou ser de boa qualidade, e não diferenciar da comida de qualquer outro lugar nas proximidades – constatamos que não correspondia com a verdade, quando os pratos foram servidos, preço elevado e sabor indesejado. Mas aprendemos a lição: não devemos acreditar em tudo que dizem; é recomendado ter referência prévia de onde se deve aportar para não ser surpreendido negativamente.

O bom foi que apesar do sabor e do preço, saímos vivos e saciamos a fome, com a certeza de que não indicaremos, tampouco desejamos retornar ao local. Como se diz por aqui: de barriga cheia, como praga, não demoramos seguir para Atins. Em vinte minutos de passeio, agora já familiarizado com o movimento da lancha, estávamos no paraíso – ali de verdade, entre o rio, a croa, os barcos, lanchas, turistas, belos restaurantes e mirante – percebi que era o ponto mais atrativo do passeio – se fosse uma viagem de casamento seria a culminância. Pena que só tivemos trinta minutos para aproveitar o ambiente, porque deveríamos retornar a Barreirinhas antes do sol se pôr.

Às 17h partimos rumo ao Farol Preguiça – foi então que sabemos os 120 degraus da torre de 35 metros e visualizamos o rio, o mar, a vegetação do entorno, as casas, as dunas, as torres eólicas e tudo mais que fazia parte daquele bioma, até o nível de visão a olho nu. Descemos e voltamos à embarcação, antes, porém saboreamos sorvetes e no trajeto entre o porto e o farol apreciamos os artesanatos e objetos expostos nas lojinhas de vendas ao longo do corredor estreito.

Chegando à lancha – era chegada a hora de partir diretamente para Barreirinhas às 18h, o sol havia se posto, estávamos em terra firme. Mais uma vez, saboreamos sorvetes para aliviar o calor e fomos para a casa alugada, banhamos, saímos para jantar, voltamos, dormimos, sonhamos e acordamos com o brilho do sol ao amanhecer de um novo dia nos lençóis maranhenses.

Barreirinhas, 08 de janeiro de 2026.

José Carlos Castro Sanches.

É Consultor de SSMA da Business Partners Serviços Empresariais – BPSE. Químico, professor, comunicador, escritor, cronista, contista, trovador e poeta maranhense. Membro Efetivo do PEN Clube do Brasil, da Academia Luminense de Letras, da Academia Maranhense de Trovas, da Academia Literária do Maranhão, da Academia Rosariense de Letras Artes e Ciências, da Academia Maranhense de Ciências e Belas Artes, da Academia de Letras, Artes e Cultura de Coroatá, da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, da Federação das Academias de Letras do Maranhão, da União Brasileira de Escritores, da Associação Maranhense de Escritores Independentes. Membro correspondente da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências, da Academia Vianense de Letras e da Academia Icatuense de Letras, Ciências e Artes. Tem a literatura como hobby. Para Sanches, escrever é um ato de amor e liberdade.

Autor dos livros: Tríade Sancheana – Colheita Peregrina, Tenho Pressa, A Jangada Passou; Trilogia da Vida: No Fluir das Horas, Gotas de Esperança e A Vida é um Sopro!; Pérolas da Jujuba com o Vovô, Pétalas ao Vento; Série Três Viagens: Das coisas que vivi na serra gaúcha, Me Leva na mala, Divagando na Fantasia em Orlando; O Voo da Fantasia e Momentos do Cotidiano. Livros em parceria: Borboletas & Colibris, TROVOAR – Trovas para Inspirar e Sonhar e ECOS – da Academia Maranhense de Trovas. Participa de diversas antologias brasileiras.

NOTA: Esta obra é original do autor José Carlos Castro Sanches e está licenciada com a licença JCS08.01.2026. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. Esta medida fez-se necessária porque ocorreu plágio de algumas crônicas do autor, por outra pessoa que queria assumir a autoria da sua obra, sem a devida permissão – contrariando o direito à propriedade intelectual, amparado pela Lei nº 9.610/98, que confere ao autor direitos patrimoniais e morais da sua obra.

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